quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Travestis Brasileiras - Do estigma à cidadania

"Podemos problematizar a exclusão vivida por gays, lésbicas, travestis e transexuais de modo a considerarmos alguns fatores que contribuem para a produção da exclusão: exclusão por orientação sexual; exclusão por classe social; exclusão por raça e etnia; exclusão por gênero. Estas diversas formas de exclusão contribuem para a destruição da autoestima e do sentimento de solidariedade de gays, lésbicas, travestis e transexuais entre seus pares, de modo a promover subjetividades empobrecidas que naturalizam a exclusão e levam as pessoas a aceitarem migalhas de cidadania, tornando-as cada vez mais cidadãos de segunda categorias (Peres, 2004)." pg 55

"O surgimento de grupos voltados para os direitos das travestis, mais perceptivelmente nos anos 90, dando maior visibilidade à essa comunidade, apresentava demandas iniciais a prevenção das DST/HIV/AIDS, mas com o tempo, foi-se percebendo a necessidade de outras problematizações que denunciavam a violação dos direitos humanos dessas pessoas, assim como a ausência de políticas públicas voltadas para esse setor social, tornando necessária a produção de estratégias de enfrentamento político aos processos de estigmatização, preconceitos e discriminações, marcados pelos processos de naturalização que enfraquecem qualquer possibilidade de crença nas mudanças sociais." pg 64

"Será através da organização social e políticas que as travestis darão início a discussão sobre seus direitos, problematizando sobre suas reais necessidades de modo a contribuir para que a sociedade possa se tornar mais tolerante e solidária. Através das lutas políticas teremos a introdução de novas questões para o debate, de modo a solicitar revisão permanente de valores e significados, para que se possa forjar a criação de novos direitos, assim como de promoção do sentimento de pertença a um determinado grupo, para que as mesmas se fortaleçam para o enfrentamento dos processos de estigmatização e exclusão social (Castells, 1999)." pg 65

"Os esforços organizados na conscientização das pessoas excluídas e marginalizadas e na produção de estratégias de enfrentamentos dos processos de estigmatização e discriminações, favorecem para que as pessoas se sintam no direito a ter direitos e de criar direitos, de ter acesso a bens e serviços de qualidade e de escolher as formas mais adequadas para suprir suas necessidades sociais, econômicas, políticas, culturais, sexuais e de gêneros. Porém, essas ações conscientizadoras e emancipatórias nem sempre são muito fáceis de serem efetivadas, pois como bem pontuou Paiva(2002, p. 26): 'um processo politizado, emancipatório, é sempre mais difícil, pois a arte da política é a arte da negociação, é menos glamouroso e depende de tempo e paciência'". p. 66

"Para o cartógrafo, a referência teórica é sempre cartografia, de modo que a sua construção se dá juntamente com as paisagens que vai construindo. Neste processo de produção, todas as entradas são boas, desde que as saídas sejam múltiplas, de modo a constituir sua dimensão rizomática. Em suas andanças, o cartógrafo estabelece critérios em suas escolhas a respeito dos componentes que participam da cartografia, [...]" p. 82

"Os estudos sobre as travestis brasileiras abrem um novo campo de problematizações para a saúde coletiva e suas interfaces com outros saberes, solicitando urgentemente a criação de novas agendas de pesquisas de modo a promover a saúde global dessa comunidade e contribuir efetivamente para a criação de novas políticas públicas que contemplem as travestis como cidadãs, logo, como pessoas dignas do exercício democrático de direitos. Neste sentido, acreditamos que a academia, neste momento, tem muito pouco a oferecer às travestis brasileiras; seriam elas que teriam muito a oferecer para a academia." p. 181

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